sábado, 13 de abril de 2013

Trásdaponte - Ida à FESTA

ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE

( IDA À FESTA )

                                               De   Ângela Piedade



Não me recordo de ter perdido nenhuma festa do Avante, a não
ser um ano em que estava de férias no Algarve e ainda hoje me
censuro de não ter apanhado o comboio para Lisboa, pois quando
os meus pais me relatavam o que se ia passando na festa, eu só
dizia para comigo:
-Bolas,o que é que eu estou aqui a fazer?
Nem à praia me apetecia ir,sabem,aquela sensação de que estamos
num lugar mas que a nossa cabeça está noutro,como se o corpo
não me pertencesse... Mas serviu-me de emenda, no ano seguinte
foi a mesma coisa, a festa do Avante calhava sempre quando
estava no Algarve,mas desta vez a história não se repetiu,peguei
no meu filho e viemos de comboio para Lisboa,onde os meus
pais nos esperavam. E a partir daí nunca mais falhei uma festa.

Dias antes, já começava o alvoroço e a excitação da festa.

- Compras-me a EP pai? Vou ficar o fim-de-semana no Seixal e
levo o Jaime, palavras mágicas para os meus pais, não quero
perder nenhum dia, não me esquecer de levar os ténis e um panamá.


E como eu tenho saudades dessa alegria de estarmos todos juntos
na festa.No dia da abertura chegávamos sempre uma hora antes,
arranjar lugar para o carro não era tarefa fácil,bebíamos qualquer
coisa num café próximo e dávamos uma voltinha a ver a feira
que se instalava nas imediações da Festa, mas faltando ainda
algum tempo antes da hora prevista da abertura, já estava o
meu pai a dizer ansioso:
-Vamos lá embora que está quase abrir,corríamos queríamos
ser os primeiros, uma Festa aguardada um ano inteiro e que
estava prestes a concretizar-se!
E aos primeiros sons da música já lá dentro não falávamos,
emocionados, só o meu filho fazia perguntas, não recordo
uma festa do Avante em que o meu pai não se emocionasse,
aquele primeiro momento era mágico e as lágrimas que ele
tentava esconder, corriam-lhe pela face.

-Pai, vamos à cidade internacional! Dizia eu para disfarçar
e fazer de conta que não o via a chorar. E resultava, com
alegria percorria os pavilhões de muitos países com coisas
lindíssimas, esculturas angolanas e moçambicanas, os
trabalhos embutidos em madrepérola dos palestinianos...
enfim coisas que nunca mais acabavam e que nos fascinavam.
E era obrigatório, fazia parte do nosso ritual, na abertura
jantarmos no pavilhão da Palestina as famosas kebab, havia
sempre fila. Sentavam-se numa mesa e eu ia buscar a comida,
todos os anos fazia isto e já era conhecida dos palestinianos,
pessoal bem simpático que estudava Medicina em Lisboa.
 


Encontrávamos amigos por todo o lado, que convidávamos
para a nossa mesa e assim punha-se a conversa em dia, com
música ao vivo e jovens muito jovens...
Nesse ano houve bienal de pintura e eu, toda orgulhosa, por
os meus quadros estarem lá, seleccionaram-me dois, o
meu pai tinha o seu livro "Memórias Escolhidas" em exposição
com os autores locais e à venda na livraria, uma tenda enorme.
Sentíamo-nos duas estrelas de papo inchado quando as pessoas
gostavam das nossas coisas. Mas mesmo sem quadros e sem
livros, a festa era para nós fantástica, melhor, maravilhosa!
Cansava um bocado, principalmente quando estava calor, mas
lá arranjávamos um lugar na relva... com tantos espectáculos
para ver, a noite era nossa...!
Amanhã estarei lá com a minha mãe, algum tempo antes da
abertura, quero ser das primeiras e o meu pai irá comigo!

                                                          Ângela Piedade


E Trásdaponte aqui tão perto
           

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Trásdaponte - Aranhas

Uma vez mais regressemos ao passado
profundo.
É uma foto da Orquestra Jazz os "Aranhas"
na déc. de 30 do séc. XX, déc. da sua fundação.
Em cima da esquerda para a direita:
José "Urca", João Tavares, José Calqueiro e
Rafael Calqueiro.Em baixo pela mesma
ordem:José "Cuca", Adelino Tavares,Virgolino
e Emílio Ribeiro.
E o miúdo quem será?
Se a foto foi tirada fora do Seixal,estamos
em presença de um admirador da Orquestra.
Se a foto é no Seixal,é caso para dizer:
Miúdo se estás vivo,apresenta-te.

Esta foto foi encontrada na caixa de papelão
de Adelino Tavares.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Trásdaponte - G. D. Trásdaponte

ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE

( Jogo em Corroios )


1970, desde Paio Pires,Arrentela,entre outras localidades do
Concelho do Seixal, recordo a deslocalização da equipa do
Trás da Ponte a Corroios.
Os transportes Beira-Rio foram os escolhidos entre várias
agências de viagens, para os elementos da equipa e um ou
outro acompanhante da nossa claque,mas por falta de
verbas houve quem fosse e regressa-se a pé, entre eles
recordo o Crispim.
O jogo foi durinho e no final a vitória sorriu ao Trás da Ponte
por 2 a 1.
Na foto, e mais uma vez, só estão 10 elementos para começar
o jogo, pois o Márinho "calhocas" chegou atrasado.
Não foi punido disciplinarmente pela Direcção, pois o "calhocas"
era o nosso embaixador e tinha reuniões com várias
personalidades estrangeiras.

                                                                     Artur Marques
Clique na imagem para ampliar

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Trásdaponte - Exposição de Desenho de Humor




No Forum Municipal do Seixal,paredes meias com Trásdaponte,
não perca esta exposição de Eduardo Palaio

Clique na imagem para ler o programa

terça-feira, 2 de abril de 2013

Trásdaponte - Grupo D. Mundet


Regressemos aos finais da déc. de 50 do séc. XX.
O Grupo Desportivo Mundet, foi um autêntico viveiro de
atletas.
Os da foto,os que estão vivos, são homens para 70 e  picos.
Gostava de os identificar todos, no entanto , só reconheço:
em pé à direita o Cunha, em baixo à esquerda o
Luís Filipe Calado, o guarda - redes José António Vida.
Quem conhecer os outros que o diga.

Clique nas fotos para ampliar



domingo, 31 de março de 2013

Trásdaponte - Foto satélite


A Timbre em Maio de 2009. É uma foto satélite ( espião ).
Clique na imagem para ampliar 

sexta-feira, 29 de março de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Trásdaponte - Concurso de Clarinete


Estão apurados os 6 finalistas do
Concurso Internacional de Clarinete.
Miguel Costa músico da Timbre, está
apurado para esta final que se realiza
amanhã dia 28 pelas 9 horas da manhã.
Pelas 17.30 horas vai realizar-se o
Concerto de Laureados,assim como a
entrega de prémios aos vencedores.
Miguel Costa tem como professor
Nuno Silva,com formação na Sociedade
União Arrentelense.

Clique na imagem para ler o programa

quinta-feira, 21 de março de 2013

Trásdaponte - Timbre Seixalense - Banda

Eu sei, que a foto é muito má. Não resistiu ao tempo, mas não
era justo, ficar mais tempo na caixa de papelão.
A Banda é a da Timbre Seixalense no ano de 1943. O local,
não identificado,será possivelmente no Seixal. De notar o
friso de mascotes sentados no lado direito da foto


Clique na foto para ampliar.
Vai encontrar muitas caras conhecidas.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Trásdaponte - Concurso Internacional de Clarinete





Realiza-se nos próximos dias 25 a 28 de Março em Lisboa
o 2º Concurso Internacional de Clarinete
Neste concurso participa o músico Timbrense
Miguel Costa. No concurso participa também como
Professor da Academia de Música de Lisboa,Nuno Silva,
formado na Sociedade União Arrentelense,colaborador
enquanto músico da Timbre Seixalense

Clique nas imagens para ampliar

segunda-feira, 11 de março de 2013

Trásdaponte - Grupo D. Trásdaponte

ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE

IDA À SECA DE BACALHAU

Nos finais dos anos 60 do séc. XX, íamos uns oito
elementos ( pois as dimensões do terreno eram
pequenas ) jogar futebol com o pessoal que trabalhava
na Seca da Atlântica, mesmo em frente ao Seixal.
O transporte era feito nos Dóris de Bacalhau e
lá chegávamos mais uma vez ao famoso 
estádio desportivo.

Os espectadores não eram muitos, mas alguns elementos
da equipa adversária já estavam à nossa espera, pois os que
faltavam iam a remar os dóris.
Começava o jogo, bola para um lado e para o outro e no
final a confraternização era saudável.
No regresso ao Seixal, vinham os atletas do Trásdaponte
( mais uma vez ) a olharem para os pés que estavam
negros não só da areia enlameada do terreno, mas
principalmente das nódoas negras. Pois, é que nós
jogávamos descalços e o pessoal da Seca tinham nos
pés as famosas socas de madeira.

                                                  Artur Marques  

quinta-feira, 7 de março de 2013

Trásdaponte - Timbre Seixalense


Sociedade Filarmónica Timbre Seixalense
Corpos gerentes para 2013

ASSEMBLEIA GERAL

Presidente............................... Rui Jorge C. Santos

Vice Presidente............ Fernando José F. Martins
1º Secretário.............. Orlando António D. Tavares
2º Secretário................ Cláudia Alexandra T. Sado

CONSELHO FISCAL

Presidente............. João Manuel da Costa Tavares
Secretário......................................... Carlos Santos
Relator................................... Jacinto Luís T. Sado

DIRECÇÃO

Presidente................. Fernando Manuel P. Santos
Vice Presidente........................ Helder Rodrigues
Vice Pres. Património..José Policarpo L. Pereira
Tesoureiro.............Ana Isabel Silva R. Inocêncio
1º Secretário.......................Gabriel Correia Silva

  2º Secretário    ............  Artur Avelar C.Marques
Vogal.............................João Luís dos Anjos Sado
Vogal.............Maria Carolina Rosa C. Domingues
Vogal...............Fernando Manuel Borronha Pinto
Vogal.....................Pedro Miguel Pereira Martins
Vogal...................................Pedro Nuno M. Silva
Auxiliar.........................................Sara Inocêncio

quarta-feira, 6 de março de 2013

Trásdaponte - Biblioteca


Início da déc. de 70 do séc. XX, neste tempo, a tradição ainda
se cumpria. A Comissão de Biblioteca tomava posse,composta
só por jovens, desta vez sem a ajuda de seniores.

Para que conste, ficam os nomes:
da esquerda para a direita, Francisco, Saúl Tavares,
António Furtado, Carlos e Luís Rodrigues

Clique na foto para ampliar


domingo, 3 de março de 2013

Trásdaponte - Solar da Timbre


Estamos no início da déc. de 70 do séc. XX. A verbena depois
de alguns melhoramentos passou a chamar-se Solar da Timbre.
Nesta época já começava a ser difícil acumular as tarefas
directivas com a responsabilidade do trabalho no Solar.
Aqui,entra a arte e o engenho de Fausto Tavares,que em boa hora,
propôs a criação de várias equipas para trabalhar no Solar.
A ideia consistia em arranjar 4 ou 5 grupos com 4 pessoas cada.
Assim cada grupo trabalhava 1 semana e descansava 4.
O Fausto,pela sua dedicação à colectividade, merece esta
pequena homenagem.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE



Nos finais da déc. de 60 do séc. XX, a equipa de
do Trásdaponte, deslocou-se algumas vezes ao
Quartel da Marinha na Azinheira,já bem perto da
ponte que ligava o Seixal ao Barreiro por comboio.
O transporte da nossa equipa era feito num autocarro
azul escuro da Marinha, que nós ansiosamente
esperávamos junto à fábrica Mundet.
Parecia que o pessoal ia jogar o campeonato da
Europa.
Todos emproados nos bancos do autocarro e o
Márinho "calhocas" no banco da frente a dizer
adeus às pessoas que circulavam e olhavam, na
rua Paiva Coelho.
A alegria era muita, pois para quem pouco tinha
aquilo era fabuloso.
Bom pessoal aqueles Marinheiros da Azinheira,
alguns, às vezes vinham beber umas cervejas e
comer lambujinhas à verbena  da Timbre Seixalense
connosco.
Já me esquecia de um pormenor, quando o jogo
terminava estávamos a transpirar e sujos como tal
o banho no chafariz no largo Joaquim Santos Boga
era infalível.

                                                Artur Marques

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Trásdaponte - Equipa de Futebol - Atrásdaponte


Mão amiga, fez chegar ao Trásdaponte, uma foto histórica.
A déc. é a de 40 do séc. XX, que juntamente com as déc. de
50 e 60, foram os tempos de maior actividade em Trásdaponte.
Era a Fábrica Mundet com os seus milhares de trabalhadores,
eram os Estaleiros apinhados de barcos em construção e
reparação, era a Timbre com as suas actividades culturais,
ou de pura diversão, com o salão sempre a transbordar de
povo. Nos anos 50 chegou o Grupo Desportivo Mundet, com
as suas inesquecíveis noites de Verão.No início dos anos 60
Chegou a Santa Casa da Misericórdia,nesta déc. de 60 surgiu
também o Grupo Desportivo Trásdaponte.

É caso para dizer; Tanta actividade para tão pouco espaço.

Vamos identificar os artistas da foto.
Em pé da esquerda para a direita: Leonel Fernandes,
Joaquim José, José António, Joaquim Benegas, Manuel Parra,
Alfredo Silveira,Hermínio,Victor Parra (director) e Luís Antunes.
Em baixo também da esquerda para a direita:Mário Ferreira,
António Pedro, António Leal, Fernando Sado e Helder.
A foto é de 1949 de uma Equipa de Futebol de Trásdaponte
( não confundir com o Grupo Desportivo de Trásdaponte que
só surgiu na déc. de 60 ).

O Leonel Fernndes, viria a ser um destacado hoquista 
conhecido como "Nhéu",com muitos títulos conquistados,
entre eles o de Campeão do Mundo.Neste tempo, era o 
miúdo que se encarregava de fabricar as bolas de trapos.
O Joaquim José o "Severa" veio a ser guarda-redes do
Seixal Futebol Clube. O José António "Ganga" destacou-se
como hoquista no Grupo Desportivo Mundet,era defesa.
Luís Antunes, massagista nesta equipa,foi guarda-redes de
hóquei, conhecido como "Pedrinhas".
O Mário Ferreira,mais conhecido como Mário "Russo"
ou o filho do "Caga-à-iscas",foi um destacado avançado
de hóquei,também no G. D. Mundet. O António Pedro,
conhecido como "Arriporra" destacou-se como basque-
tebolista no G. D. Mundet. O António Leal, viria a ser
hoquista no G. D. Mundet. Fernando Sado o "Nana"
destacou-se como futebolista no Seixal Futebol Clube.
Finalmente o Helder,foi também um destacado futebolista
no Seixal Futebol Clube.

Trásdaponte, foi sem dúvida uma verdadeira Academia
de Desportistas 

 Clique na foto para ampliar











 
 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Trásdaponte - Estórias Com Gente de Trásdaponte

ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE

OS NOVE UNIDOS DA MEIA-NOITE
( Grupo de Amigos da Sociedade Timbre Seixalense )

Estamos nos anos 70 do séc. XX, as noites de Verão são quentes e
convidativas para a esplanada da verbena da Timbre.Comiam-se
caracóis e amendoins, e bebiam-se uns pirolitos e umas cervejinhas,
e também se jogava aos matraquilhos. Havia um grupinho, (não o nosso)
que sentado no muro da curva da Timbre, para além de apanhar a brisa
que vinha do rio, se dedicava a cortar na casaca dos vizinhos, e de quem
por ali passava.
Havia assim, sempre tema de corte, ou seja, de conversa.
Nós, a rapaziada, na altura 18,19,20 anos,tínhamos o costume de nos
juntarmos no muro, quando terminava o horário dos namoros,ou seja,
por volta das 23.30 horas.
Assim, e quando estávamos todos,lá partíamos para a nossa volta, que
começava muitas vezes na taberna Chave D'ouro, onde se bebia uma
ginginha ou um branco velho.
A paragem seguinte,era no bar do Seixal F. Clube,onde na altura estava
o nosso amigo Luís Tavares, que era um excelente mestre de cozinha.
Se fosse hoje seria um ótimo Chef.
Com a barriguinha já composta, seguia-se em direcção ao Bairro Novo.
Não se podia fazer muito barulho com a conversa, porque ainda estávamos
longe de Abril de 74.
E a volta continuava até Paio Pires ao café do Ti Inácio (cagaiscas),
Cavadas,Torre,Arrentela e Seixal, já por volta das 3 da manhã, com a
brisa do rio já mais fresca.
A conversa durava sempre para lá das 4 horas. Mas era Verão, e no
dia seguinte não se trabalhava. Iam-se fazendo planos para ir com as
namoradas até à praia do Alfeite, onde íamos a remos no barco do
João Peixoto, e apanhava-se bom peixe, que servia para petisco,sendo


cozinheiro o Márinho ( Calhocas ).
Ás vezes, quando o pessoal tinha uns trocos a mais, a volta era outra.
Camioneta da Beira-Rio em direcção a Cacilhas,para comer umas
bifanas e beber umas  imperiais no Farol. O regresso ao Seixal,era na
última carreira às 2.45 da manhã.Bons tempos. Eram tempos em que
se cultivava a amizade, que ainda hoje perdura,longe das tecnologias.
A Timbre era o local de encontro de famílias, onde se trabalhava com
amor à camisola.
Uns na verbena,outros nas direcções, na banda, no teatro, na biblioteca.
Computadores nem pensar,televisões havia poucas, então era a Sociedade
o centro de tudo que era actividade e convívio.

A propósito de televisão,uns anos antes,(60...) existia uma na verbena,que
era religiosamente controlada pelo Ti Anazário, um Timbrense ferrenho,
mas com pouca paciência para os putos, que aguardavam ansiosamente
sentados no banco de madeira corrido, que ele ligasse a televisão, e tinha
de estar tudo calado,se não nada para ninguém.
Era o tempo de séries como o Robim dos Bosques,Ivanhoe,Mascarilha
(alô Silver), Homem Invísivel,Rim-Tim-Tim,Lassie e outras que faziam
as delícias dos putos.Às vezes lá se bebia um pirolito,ou outro refresco,
que eram sempre repartidos por toda a malta sentada no banco.
Aliás, o grupo dos 9 da meia-noite,era todo ele constituído por estes
"fregueses" do banco de madeira da verbena.
Ficam os seus nomes: Artur Avelar, João Tavares, João Sado,José Tomás,
(falecido),Rui Jorge (falecido),António Anjos, Márinho (falecido),
Nelson Teotónio e José Belicha. A estes juntavam-se outros, como o 
Luís Fernando (Alfama), que vinha para o Seixal nas férias e fins de  semana
e o António Furtado.
À medida que o tempo foi passando,veio a tropa e os casamentos, e o
grupo dispersou-se, mas agora, já reformados,(quase todos) estamos novamente 
juntos no Trás da Ponte.
Há que não deixar morrer as coisas boas,como a amizade, e sobretudo a 
Timbre Seixalense.
Um abraço para todos

                                                                                         João M. Tavares 






quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Trásdaponte - Fábrica Mundet


Finais da déc. de 80 do séc. XX. Os Trabalhadores da Mundet
estão em luta. Opunham-se ao encerramento da Fábrica.
Infelizmente o desfecho foi aquele que conhecemos.

Clique na foto para ampliar 
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Aniversário da Timbre 1972

Apresentamos hoje a 2ª Parte do filme
" Aniversário da Timbre 1972".
O Eduardo Palaio é um dos protagonistas do dito. Na
época era o Presidente da Assembleia Geral da "nossa"
Sociedade Velha, no seu estilo característico, o Eduardo
conta-nos como foi.

A primeira impressão do visionamento do filme é devastadora:
tanta gente que já não está, com quem vivemos, tanto rosto 
amigo,tanto jeito que nos moldou, que faz parte dos nossos ossos,
os nossos músicos; a nossa banda da vida.

A minha parte, no tempo filmado,naquela sala, está na mesa.
Sentam-se, segundo o protocolo: ao centro, o convidado de honra,
 o governador civil (gorducho), à sua direita o representante da
Câmara, o vereador Bragança, à esquerda o Presid. da Fed. Port.
das Colectividades, e na ponta oposta da mesa eu, o presidente da
Assembleia Geral da Timbre. Sentados ainda, em mesa,em lugar de
destaque, o Capitão Louro,figura de prestígio da Sociedade,aquele 
que se vê discursar com jeito de poeta, e o nosso representante na 
Federação.

Falou-se e discursou-se: os da mesa outros: o jovem Furtado,
vice-presidente, em nome da Direcção, o distinto Emílio Rebelo,
o Capitão Louro, vigoroso. Não falou, na sua modéstia plena
de dignidade o maestro Pinto. Nos discursos, seguiu-se a
ordem protocolar, depois que falou o vereador, falei eu na
qualidade de presidente da Mesa da Ass. Geral e por fim,para
fecho, a " gordura" : levantou-se, gesto de "caudilho",
arrebatamento patriótico, e entre outras afirmações e votos,
subliminarmente, propagandeou a " primavera marcelista",
a despropósito da sessão, talvez entusiasmado pela sala cheia,
da recepção calorosa ( um parêntesis para dizer que a Direcção
da Timbre, responsável pelos convites, era na ocasião, em
resultado de um aproveitamento de um vazio, constituída por
gente conotada com o regime; coisa abstrusa na tradição
da Sociedade Velha ).

O governador Civil disse o que quis e foi aplaudido. Só que o
Presidente da Ass. Geral, entendeu retomar a palavra, contra 
o protocolo e o hábito,e contestou o discurso do representante
do " governo marcelista". Não me recordo, mas as minhas 
últimas palavras talvez tenham sido:
"agora sim,está encerrada a sessão".

Essa parte, o filme não registou, ou foi cortada conforme os
mandamentos do tempo que se vivia. Faltavam dois anos.

Foi uma bronca. Uma figura de prestígio da Timbre (e muito
minha amiga, com idade de ser meu pai) veio segredar-me
ao ouvido, que fora " uma vergonha, convida-se o senhor e
depois faz-se aquela desconsideração..."

Mas deixemos a sessão e fixemo-nos na parte mais importante
do filme, com as imagens da chegada das excelências em
automóvel mercedes da época ( já vem de longe essa de se pensar
que os carros dão prestígio aos cargos ). O presidente da
Direcção acorre solícito a abrir a porta do veículo donde sai o
governante e logo o vereador; e agora reparem no sujeito
( o José Loja ) que está junto à entrada da sociedade: nem tugiu
nem mugiu, boné na cabeça ( não fez como se dizia, a salvação,
descobrindo-se ) mãos nos bolsos, com " olímpica indiferença",
encostado, lazeirão, à parede da Sociedade Filarmónica
Democrática.

Obrigado, bom amigo Irlando por nos trazeres estas imagens.

                                                                            Eduardo Palaio


   
  



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Concerto de Ano Novo


A foto possível, de o Concerto de Ano Novo que a
Timbre Seixalense efectuou no Forum Cultural do Seixal.

Clique na foto para ampliar

domingo, 27 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Aranhas

A foto é de má qualidade, mas sempre é uma foto histórica,
por isso a divulgamos.
Estamos na déc. de 40 do séc. XX. Os "Aranhas" tinham 10
anos de vida outros tantos de sucesso.Não sei qual o tema
desta noite dançante,talvez a "Noite das Camélias", não sei
se estive presente, mas que foi uma grande noite,lá isso foi.
A Orquestra, nesta fase da sua existência, apresentava-se
numa versão mais alargada,assim temos da esquerda para a
direita: saxofones, José Urca, Emílio Rebelo e Rafael Calqueiro.
Entre o Rafael e o Emílio está o Adelino Tavares que tocava
bateria. A tocar sousafone, Mário Fabrício.Nos trompetes,
Virgolino e José Calqueiro,por detrás do José ,temos o Gastão
nas marimbas.Finalmente no trombone de varas,
João Tavares,também conhecido, como o Glenn Mller português.


 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Aniversário da Timbre 1972


Divulgamos hoje aos visitantes do Trásdaponte,
um filme inédito,publicado pela primeira vez
no YouTube.

É Domingo,2 de Abril de 1972. A Timbre Seixalense
festejava o seu 124º. A Festa foi de "arromba",e à 
moda antiga.A volta à Terra foi completa
incluindo o Bairro Novo,na imagem, pode ver-se a
Banda passando no local onde hoje está
construída a Caixa G. de Depósitos.
De tarde houve Concerto e os habituais discursos,
não faltaram as forças vivas do concelho.
O Salão Nobre da Timbre estava à pinha, ao fim e
ao cabo,sempre eram 124 anos.

Para os intervenientes no filme,os que estão vivos claro,
vai ser uma surpresa reverem-se ao fim deste tempo.

O filme será publicado em 2 partes




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Apanha da ameijoa


Trásdaponte, Janeiro de 2013,tarde calma de neblina.
Pelos vistos, o rio continua a dar ameijoa. Até quando?


Clique na foto para ampliar

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

Trásdaponte - G. D. Trásdaponte


Mais uma foto guardada na caixa de papelão,que vai correr
mundo.
Trata-se do onze maravilha do Grupo Desportivo Trásdaponte
foto de 1970 tirada no Campo do Bravo no Seixal.
Em pé da esquerda para a direita: Rui Jorge, João Manuel,
 Nelson Teotónio, António Anjos,e Saúl Tavares.
Em baixo pela mesma ordem: Luís Rodrigues, José Belicha,
Márinho,António Furtado e Armando Matos.
Por falta de comparência do fotógrafo ( Grão ),esta foto
foi tirada pelo décimo primeiro jogador: Artur Marques,
mais conhecido por " Atchixa".

Clique na foto para ampliar   

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Memórias Escolhidas

                                 
Do livro "Memórias Escolhidas" de Ângelo Piedade Matos
vamos transcrever uma passagem relacionada com
Trásdaponte
... Agora a malta vinha ao meu Largo, quero dizer à minha casa 
para logo de manhã, por volta das sete, nas marés grandes ir
tomar banho nas escadinhas da Sociedade: - o Caetano, o Belo,
 o Necas, o Veríssimo e o Joaquim Maia,
da Rua dos Valentes,o Joaquinzinho da Rua da Cooperativa;
o Zé Calqueiro e o Capucha, do Largo da Igreja; eu, às vezes
o meu pai e mais alguns vizinhos do Largo. Não havia pé para
ninguém, aquilo era mesmo para nadadores feitos, tivessem a
idade que tivessem e fossem do tamanho que fossem: - de
corrida, era cá cada mergulho!... Claro, que toda a vida e por todo 
o lado nadei e continuo a nadar, mas aqueles banhos com a
maltinha, era uma festa e nunca mais houve outros iguais,
nem a mocidade voltou...

Não posso viver sem olhar, ouvir e cheirar o mar, a maresia.
Da minha casa vejo o Barreiro, mas não chega. Raro é o
dia que não tenha de ir saudar o meu: o mais lindo, o do
Seixal... Não há cura, bem gostaria de ser enterrado, sem
padre, à sua beira, em Trás-da-Ponte

Maltinha ao banho nas escadinhas da Sociedade

Desenho de Eduardo Palaio


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Trásdaponte - Aranhas


Começamos 2013,regressando mais uma vez ao passado
profundo. É uma foto inédita.A déc. é a de 30 do séc. XX.
Local não identificado,possivelmente,fora do Seixal.
São os primeiros tempos da Orquestra Jazz "Os Aranhas",que
na época era composta pelos seguintes elementos:
Em pé da esquerda para a direita- José Calqueiro,Emílio Rebelo
e Adelino Tavares.Sentados pela mesma ordem - Germano Sado,
João Tavares, Virgolino??, Manuel Rebelo e José Urca.

Foto "religiosamente" guardada numa caixa de papelão.


domingo, 30 de dezembro de 2012

Trásdaponte - Bom Ano de 2013

O Grupo Desportivo Trásdaponte,
deseja a todos os visitantes do "Atrás da Ponte",
um ano de 2013 cheio de comes e bebes
e que ganhe o melhor.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Trásdaponte - Ano de 2013

Na medida do possível, que 2013 passe
depressa,e sem muitos sobressaltos.
Nós por cá,continuamos "unidos e coesos",
prontos para mais umas "macacadas".

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

Trásdaponte - Estórias com Gente de Trásdaponte

                                 ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE

                                                                                    de Ângela Piedade

                                                    A tablete de chocolate


Hoje não me safo, não há ninguém para brincar, a Amélia está de castigo e não a deixam sair. Bem pedi à D. Ludovina que a deixasse brincar comigo, que nós nos portaríamos bem, supliquei, mas a mãe da Amélia com aquele sorriso de quem gostava de mim, só dizia: _ Não pode ser filha, foi o pai que a castigou e eu não posso fazer nada. Volta não volta isto acontecia, a Amélia era rabina e eu não imagino a minha infância sem ela e as suas peripécias divertidas. Na rua não aparecia ninguém, o que era feito da Carolina, da Lucinda, da Jacinta, da Tina, da Elsa, ninguém aparecia para brincar, também estariam de castigo, pensava, naquele tempo não era preciso muito para que isso acontecesse. Sozinha comecei a jogar ao pesão, na esperança de alguém querer brincar comigo, qualquer uma servia, brincar sozinha é que não.
 Nisto passa a minha avó Maria e pergunta-me: _ Ângela Maria queres vir à Cooperativa com a avó? Cooperativa palavra mágica, o sítio onde comprava os chocolates e outras guloseimas. A brincadeira estava fraca e logo lhe dei o braço.

 Subimos ao primeiro andar onde estava o Auto-Serviço, algo parecido com o que é hoje um supermercado, as coisas estavam em prateleiras e eu podia mexer. Corri para a minha tablete do costume, pequenina com um estampa colorida a que chamávamos de surpresas e que colávamos nos cadernos da escola. Os rapazes coleccionavam os cromos dos jogadores de futebol que saíam nos rebuçados e faziam um jogo muito engraçado em que cuspiam na palma da mão e viravam os cromos que estavam ao contrário. Chegámos à hora em que estavam a abastecer e a colocar produtos nas prateleiras, quando no alto do escaparate das guloseimas, aparece sozinha uma tablete enorme da Regina, era de ficar sem fala, nunca tinha visto uma tablete tão grande. Puxei a minha avó pela saia, e pedi-lhe: _ Vó, compra-me aquela tablete, compras não compras? A minha avó viu o preço e com um ar desanimado retorquiu: _ Não pode ser filha, é muito cara e a avó não trouxe dinheiro que chegue. Remexi os bolsos e estendi-lhe a mão com alguns tostões e agora vó, já pode ser? Não chega, isso só dá para aqueles rebuçados de café a meio tostão cada. Baixei os olhos triste, queria tanto a tablete. A minha avó na sua generosidade e amor (deu-me de comer à boca até aos 11 anos), decidida: _Vamos a casa buscar o dinheiro que falta! Tinha o coração aos pulos a caminho da rua 1ª de Dezembro e nunca me lembro de ter subido tão depressa o 3ºandar, casa onde nasci. Ó vó vamos depressa, podem comprar a tablete, com dificuldade a minha avó tentava acompanhar o meu passo, quase corria, ela sofria do coração... cinco escudos custava a tablete e finalmente era minha! Sentei-me à porta da Cooperativa enquanto a minha avó fazia as compras e conversava com as comadres. Que tablete deliciosa, tinha uns altos de onde jorrava um líquido viscoso muito saboroso, nunca tinha comido nada assim. Nisto oiço ao longe a voz da minha avó, Ângela Maria, Ângela Maria, acorda, a avó tem de ir fazer o jantar. Ó Maria Matos, a tua neta não está bem, a rapariga não responde, se calhar apanhou muito sol, colocaram-me a mão na testa para saberem se tinha febre, andava meningite na terra, a minha avó muito aflita só dizia, valha-me Deus, nossa Senhora, morreram-me quatro filhos e um deles com meningite ( o meu pai foi o único sobrevivente), ai minha rica filha e desatou a chorar. Até que a Sérgia pequenina, tentou pegar-me ao colo e disse: _ a tua neta cheira a álcool! Tinha o vestido todo sujo do líquido que saiu da tablete. Outra comadre pegou no que sobrava da tablete e num espanto ao ler o papel retorquiu:_ Ó Mari Matos, tu foste comprar uma tablete com anis para a tua neta? Coitada da minha avó, sabia lá que havia tabletes com anis, além disso, era muito míope (16 dioptrias), os olhos negros enormes, pareciam dois pontinhos naqueles óculos. Leva mas é a rapariga para casa e ela que durma, diziam as comadres. E assim foi, agarrada à cintura da minha avó, fui cambaleando até casa e dormi. Ao acordar lá estava a avó Maria, ansiosa a perguntar-me: _ Sentes-te bem filha, sentes-te bem? E a primeira coisa que eu disse: _Ó vó, onde está a minha tablete?


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Trásdaponte - Concerto de Natal

Concerto de Natal no Salão Nobre da Timbre no dia
16 - 12 - 2012
Durante a tarde foram distinguidos com o titulo de

Sócio Honorário os seguintes Timbrenses:
Leal Calqueiro, Luís Rosa e Egas Capucha.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Trásdaponte - Concerto de Natal




A Banda da Timbre efectuou um concerto no
Lar de Idosos do Seixal
16-12-2012

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domingo, 16 de dezembro de 2012

Trásdaponte - Copaneiras

Estamos em 1944,no Salão Nobre da Sociedade Timbre Seixalense
O grupo "Copaneiras" comemora o seu VII aniversário.
Muito difícil em 2012 identificar os convivas, no entanto,no
topo da mesa,reconhecem-se duas figuras que se destacaram
na vida da Timbre.Capitão Louro amigo da Sociedade,e o
maestro Domingos Maria Ferreira,de quem já aqui temos falado.
Lembrar que o grupo ainda existe, e que em 2012 festejou
o 74º aniversário.

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