Poema de Ângela Piedade, onde fala do
Largo Joaquim Boga e de gente de Trásdaponte
SEIXAL, DA MINHA JANELA
Da minha janela, vejo o tempo que passou, a nostalgia de uma infância que
ainda perdura na memória deste pequeno largo onde tantas vezes brinquei.
Da minha janela, sinto a brisa no rosto, o sol que queima e o rio que me
aguarda.
Da minha janela, oiço a minha avó Maria chamar para o lanche, ou se calhar só
para ir com ela à cooperativa...
Da minha janela, vejo as minhas amigas a brincarem,
acenam-me para ir ter com elas.
Da minha janela, as vozes do tio Mário, do avô
Chico, da tia Vitória, do tio Armando, todos chamam por mim, têm sempre
qualquer coisa para me dar.
Da minha janela, o tempo pára, fica suspenso na
eternidade de um momento.
Da minha janela, vejo a minha mãe que me dá a mão.
Da minha janela, oiço os passos do meu pai a subir
as escadas.
Da minha janela, sou feliz.