Aspectos da Exposição " Damas ao Bufete " patente ao público até 17 de Novembro no Fórum Cultural do Seixal. ( Re ) viva o passado Clique nas fotos para ampliar |
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Trásdaponte - "Damas ao Bufete"
sábado, 3 de novembro de 2012
Trásdaponte - Timbre - Baile 1963
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Trásdaponte - Escola de Música 2
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Trásdaponte - Encontro de Bandas
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Trásdaponte - Exposição de Fotografia
sábado, 20 de outubro de 2012
Trásdaponte - XIII Encontro de Bandas do Seixal
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Trásdaponte - Barbearias 2
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Trásdaponte - Festa de Homenagem
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Trásdaponte - Estórias com Gente de Trásdaponte
ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE
LARGO DA IGREJA ANOS 50 SÉC. XX
de Eduardo Palaio
Parte 2
Agora que já estou melhor num intervalo dos deveres da escola
que são muitos já tenho tempo para descrever à senhora minha
avó Jesus o sítio onde vivemos aqui no Seixal. O prédio é o maior
que aqui há no Largo da Igreja o meu pai que ainda agora chegou
havia de gostar mais que o largo se chamasse Largo do Coreto a
avó já sabe como ele é e tem dois andares e águas furtadas que
não dá para avistar pois a um que comece a recuar para as ver
acaba por bater com as costas na igreja sem as ver.Se o prédio
caísse inteiro batia na igreja veja a avó como fica mesmo em
frente. Do meu quarto e do meu irmão pela janela grande que é
toda envidraçada vê-se o rio que é logo a seguir à pequena rua
onde fica a entrada da Câmara Municipal. O largo tem cinco
saídas o que é o mesmo que dizer que tem cinco entradas aqui
bem no largo temos a tal padaria e a dita taberna de que já falei
uma farmácia mais uma barbearia uma escola da sogra do
senhor Necas uma mercearia grande do senhor Mário uma
casa de máquinas de costura dum senhor Pereira uma casa
caserna da guarda republicana a Câmara um coreto de banda
de música e uma cadeia onde às vezes estão um que se
chama ladrão alto outro é o senhor Pinho e o que falta é um
a que chamam Texugo que anda em bicos dos pés a mais das
vezes a falar alto e contra o Salazar. No nosso prédio de viver
vivem um senhor muito educado no mesmo andar do nosso que
se chama Manuel Rebelo e tem mulher e uma filha que é
quem eu mais conheço e o meu pai também depois os Penholas
os Sesimbras e por cima do senhor Rebelo o senhor Américo
Capucha não sei se capucha é nome ou é alcunha o mesmo
para o senhor texugo aqui muita gente é conhecida por alcunhas
só falando nos que moram no nosso largo os nossos vizinhos
já ouvi chamarem pelos fadistas que moram por debaixo do
Severa ( não sei se é alcunha ) e por cima dos Cága-Apitos
desculpa avó mas é assim que dizem depois hà os Coelha
Branca os Santolas e no prédio ao lado uma senhora Coça e
em frente um que é o senhor Chico Bruxo que vive com umas
irmãs coitadinhas se lhe chamam bruxas e ao lado por cima
da farmácia um Vai-te Vai-te e do meu lado direito os
Cambalachos ( não sei se é nome se alcunha ) o Salustra deve
ser alcunha porque já o ouvi chamar de Jesuíno e deve
haver mais e o largo é quase quadrado e se eu for andar
devagar quando tiver contado até vinte já percorri o
comprimento todo.
Falando de alcunhas esta é a terceira terra onde vivemos e
tal como a terra da avó e da família que é a Figueira da Foz
tem também um rio e o mar está perto só que não se vê
talvez por isso as pessoas daqui chamam mar ao rio
depois de tanta mudança espero que desta vez seja para
ficar assim o desejo desde o dia em que chegámos da
Figueira. De cada vez que mudamos sai-se de uma terra e
perdemos os amigos o que é mau e triste e também em
mudando fica para trás as alcunhas que tínhamos o que é bom.
Um rapaz de cabelo encaracolado que se calhar por isso
tem o nome de Ariolindo quis-me meter uma alcunha foi a
alcunha do "marroquino" ( acho que pensam que viemos
de Marrocos ) o pai dele tem mesmo aqui numa rua para
que dá o nosso largo uma barbearia e tem um bigode à
hitler e a alcunha de Tapum ( é o senhor Cézar Tapum )
e veio logo o filho dele o tal Ariolindo a querer
meter-me uma alcunha!
Cumprimentos do meu irmão e de todos cá de casa e meus
do neto Eduardo e espero que esta a encontre de boa
saúde senhora minha avó.
FIM
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Trásdaponte -Timbre - Biblioteca
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Trásdaponte-Joaquim Boga - Republicano
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Trásdaponte - Timbre - Acordai
Ao ver este vídeo de 29 - 9 - 2012, veio-me à memória uma estória
passada na Timbre, contada pelos mais velhos à volta de uma
mesa, na companhia de uns copos e umas lambujinhas.
Corria a déc. de 50 do séc. XX. Domingo, tarde Cultural com o
coro da Academia de Amadores de Música, de Fernando
Lopes Graça,( amadores mas muito competentes ).
Por hábito nas tardes Culurais da Timbre,era oferecida aos participantes
uma flor,normalmente de papel,claro que era esperado um donativo,
para ajudar nas despesas.Nesse dia, e como o tempo era de Primavera,
as flores de papel foram substituídas por centenas de papoilas colhidas
ali mesmo ao lado na quita do Sousa.
Acontece que, uma "alta individualidade" lá da terra resolveu ir
assistir a essa tarde Cultural Timbrense. A meio da sessão resolveu sair
comentando para um amigo " vamos embora porque isto cheira
muito a vermelhos".
Ao ver o vídeo pergunto. Será que ao agente também lhe cheirou
a vermelhos ?
as flores de papel foram substituídas por centenas de papoilas colhidas
ali mesmo ao lado na quita do Sousa.
Acontece que, uma "alta individualidade" lá da terra resolveu ir
assistir a essa tarde Cultural Timbrense. A meio da sessão resolveu sair
comentando para um amigo " vamos embora porque isto cheira
muito a vermelhos".
Ao ver o vídeo pergunto. Será que ao agente também lhe cheirou
a vermelhos ?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Trásdaponte - Timbre Seixalense - Banda
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Trásdaponte - Estórias com Gente de Trásdaponte
ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE
LARGO DA IGREJA ANOS 50 SÉC. XX
de Eduardo Palaio
Parte 1
Senhora minha Avó
Em primeiro lugar estimo que esta a encontre de boa saúde,
nós estamos bem, felizmente.Estou-lhe a escrever esta carta
porque a minha mãe mandou que assim o fizesse e até era
para ter escrito há mais tempo mas como apanhei asiática só
só agora o estou a fazer. Apanhei a gripe num dia em que tudo
me correu mal em que eu saí fechei a porta de casa desci os
degraus grandes de pedra que se alargam em muito escuro
e depois saí à rua pela porta muito larga e alta também e
fui ao pão foi atrás de mim um gatito preto chamado
chico que é do senhor Manuel que é o dono da taberna
que por ter uma grande chave se chama chave de ouro
que fica no mesmo prédio logo à direita de quem sai o tal
portão grande e por debaixo da nossa casa que é no primeiro
andar. À porta da taberna tem um banco corrido e aí às vezes
me sento e vem ter comigo o gatito que se chama chico.
Ele já me conhece anda atrás de mim como se fosse um
dos cachorrinhos que já tivemos e que tinham todos os
nome de mondego ( ou foi em Sintra ou em Pero Pinheiro
ou aí na Figueira, aí não que não tínhamos quintal e não foi
na Figueira que eu apanhei a febre da carraça ).
Nesse dia assim fui e o gatito chico acompanhou-me até
à padaria e eu sempre a ver se ele não fugia para o largo
da praça e por isso me distraí.
Pedi o pão saco de pano numa mão e o dinheiro na outra
"eu queria faz favor duas carcaças de dezasseis" assim disse
à senhora que fala a modos de ser espanhola e se chama
dona Júlia e já ia a sair a porta com o pão quando ela me
gritou com uma voz como se fosse um pavão daqueles
que há no parque do Palácio da Pena:" ó menino
esqueceste-te do troco!" maneira dela falar para me dizer
que me ia embora sem pagar e a verdade é que ia a sair
distraído que estava com os três mil reis e mais os dois
tostões na mão que vergonha voltei atrás senti que estava
vermelho que nem um tomate a cara abrasava-se-me
quem estava ao balcão quando eu voltei atrás estavam
todos a rir. Acho que foi por isso que apanhei mais
facilmente as febres da asiática há quem não a tenha
apanhado.
continua
Clique na foto para ampliar e poder visualizar o nome
de alguns moradores do Largo
Clique na foto para ampliar e poder visualizar o nome
de alguns moradores do Largo
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Trásdaponte - Situação Social do País
sábado, 22 de setembro de 2012
Trásdaponte - Aranhas
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Trásdaponte - 25 de Abril
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Trásdaponte - Aranhas
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Trásdaponte - Panorâmica
Trásdaponte - Eduardo Palaio
Ainda a propósito do prémio ganho por Eduardo
Palaio, com o seu livro Caixa Baixa.
Publicamos uma entrevista dada pelo escritor
à RTP
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Trásdaponte - Viagem ao Talaminho
domingo, 2 de setembro de 2012
Trásdaponte - T. Seixalense - Banda
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Trásdaponte - T. Seixalense - Escola de Música 1
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Trásdaponte - Elso Roque
domingo, 19 de agosto de 2012
Trásdaponte - Pôr do Sol
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Trásdaponte - Ângelo
domingo, 12 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Trásdaponte - Ainda a Marcha das Canas
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Trásdaponte - O regresso da Garça
| A nossa amiga Garça está de regresso a Trásdaponte, desta vez,ao que parece, veio para escolher um barco. |
| Fotos de Julho de 2012 Clique nas fotos para ampliar |
domingo, 29 de julho de 2012
Trásdaponte - O Bife - Parte 3 - Final
O Bife
( Parte 3 )
Passa o dia, desde a carreira das 6h20 até à das 20h, no meio do cheiro
a óleo, e das fugas do combustível,no espaço apertado onde o enorme
motor ocupa quase todo o porão, Marcha-à-ré,marcha-à-vante, meia-força,
toda-a-força! é assim todo o dia: ordens trim-trim que assim soam no
mecanismo comandado de lá de cima pelo mestre.
"Está aí a Maria Rosa!" - "o quê! O quê, caraças!" - ainda será preciso
chamá-lo mais duas vezes para que ele ouça e suba ao convés."Nem por
ser dia de bife,chiça!" .Como é que lhe pode saber bem? com aquele pivete
que não se acantona nem sobe, que lhe fica pespegado nas roupas; e o
matraquear dos pistons sem parança, porque se param o motor pode não
arrancar no horário... Por isso está a ficar surdo, lamenta~se a Maria Rosa.
Falta um um quarto de hora,corre de volta menina!
Chega a casa, os filhos já foram, só tem tempo de abrir meia carcaça de
dezasseis, chegar o lume à frigideira, esperar que a pasta coagulada volte
a ser molho e logo espalhar o líquido quente de modo a ensopar
abundantemente o miolo.Já está a tocar o "búzio" dos dez minutos.Pão e
molho,bem bom! No bolso,uma maçã riscadinha.
A meio caminho, junta-se à multidão apressada de homens e mulheres.
Romaria de centenas de azuis zuarte, sandálias e socos,aventais,bonés
e boinas, lenços negros de viúvas - como destroços de cheia em corrente
de rio.Ela já comeu quase metade. Apanha a Noémia.
- Ó Maria Rosa! Mas que cheirinho é esse tão gostoso?!
- É bife, queres?
- Deixa dar uma dentada - pede a Noémia.
No intervalo inesperado que aquela tarde proporciona,enquanto esperam
que uma das camaradas desentupa o tubo da máquina, espécie de funil de
onde caem as rolhas, a Maria Rosa tenta decifrar o que querem dizer todos
aqueles trejeitos de boca,palavras mudas, que a Noémia envia na sua
direcção: - " O quê? Fala alto!" - a Noémia debruça-se por cima da passadeira,
quase lhe chega ao ouvido e então faz-se ouvir: " "Ah! Maria Rosa,
nunca comi bife tão tenrrinho!".
Final
Estória verídica contada por Eduardo Palaio
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Trásdaponte - Marcha das Canas - Final
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Trásdaponte - Ameijoas
| Os tempos são outros, hoje,as ameijoas vão na frente. Dizem que são às toneladas,fazem o salário de muitos. |
| Uma amostra em plena rua 1º de Dezembro. Fotos de Julho de 2012 Clique nas fotos para ampliar |
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Trásdaponte - O Bife - Parte 2
O Bife
( Parte 2 )
O tempo é escasso, ás dez para a uma o "búzio" da fábrica vai tocar de novo.
Tempo curto também para o que a Maria Rosa tem de fazer,naquele
intervalo, de todos os dias: dar o almoço aos filhos que têm de ir para a escola,
ir a casa dos sogros levar a sopa,fazer a marmita do marido e levá-la ao
trabalho dele,recolher a roupa da corda e pendurar outra porque na Rua dos
Carpinteiros de Machado, antiga "dos valentes", onde mora, o sol que
melhor seca é o da tarde.
Mas hoje ainda tem mais pressa, o tempo é mais apertado do que em qualquer
outro dia da semana. É sempre assim em terças-feiras como esta: tem de ir,
primeiro que tudo, ao talho da cooperativa, atrás da barroca - reza para que mal
chegue seja logo ser aviada. Uma vez por mês o Joaquim, assim se chama o marido,
tem de comer um bife e hoje é a terça-feira em que assim deve ser. Carne fresca
se não "a realeza" não quer - frigorífico há-de ser um dia! - as peças que vêm do
matadouro são desmanchadas à segunda-feira e só são postas à venda no dia seguinte.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Trásdaponte - Marcha das Canas
sábado, 7 de julho de 2012
Trásdaponte - Estórias com Gente de Trásdaponte
ESTÓRIAS COM GENTE DE TRÁSDAPONTE
Estória verídica.Os verdadeiros nomes estão alterados.
Estória magistralmente contada por Eduardo Palaio
O Bife
( Parte 1)
Ainda o "búzio" não tinha chegado ao começo do fim,quando só
sai um som frouxo e rouco, já ela estava na portaria da fábrica onde
trabalha desde os doze anos.É meio-dia e um minuto,"andas sempre
com o fogo no rabo, Maria Rosa" diz-lhe a Noémia, a camarada que
trabalha à frente dela,na mesma bancada.Um metro as separa,
exactamente a largura da passadeira por onde rolam,saltitam e
desaparecem as rolhas, saídas da bocarra da máquina que está sempre
com uma pressa impiedosa.
Passadeiras como aquela há muitas na secção da Fábrica Mundet & C.ª,
chamada de "a escolha". Por cada máquina, quatro operárias:duas frente
a duas,estendem as mãos rápidas,oito horas ao dia,quatro pares de olhos,
que comandam as mãos,que como as gaivotas do rio em busca de
comida, mergulham rápidas os dedos no turbilhão das rolhas passantes,
e separam, num golpe, as rolhas defeituosas das boas que, irão livres
cair no abismo que se encontra no fim do percurso.Mais tarde as rolhas
recolhidas do enorme saco serão contadas, por cada rolha má encontrada
cairá uma nódoa no desempenho das operárias. É nisso que trabalham
as centenas de mulheres que estão na "escolha".
Maria Rosa sai sempre a correr, ela e as outras formam o imenso pelotão
da frente, os homens vão mais devagar. Os poucos de entre eles que se
apressam são os que não têm quem lhes aqueça o almoço e mais
aqueles que querem ser os primeiros - depois de dada " a volta à mesa" -
a chegar à barbearia do César "Tapum" para ganharem a vez na
leitura do jornal desportivo. Ou talvez um bagaço,até que a pressa
chateie.Outros ficam-se à ravessa, do lado do sol,como se fossem
passar a tarde ali.
( CONTINUA )
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Trásdaponte - Marcha das Canas
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